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08 Janeiro 2008
As mercadorias agrícolas variam em ciclos plurianuais de subidas e de descidas de preços. Neste momento assistimos a um ciclo de subida nos preços das mercadorias em geral semelhante ao que assistimos na década de 70, com o milho, trigo, soja, petróleo e ouro a transaccionarem a preços recorde.
Pela primeira vez na história o petróleo atingiu os 100 dólares por barril, ao mesmo tempo que o ouro ultrapassou os 800 dólares por onça, um valor que não viamos desde 1980. Os preços das mercadorias agrícolas atingiram também máximos históricos, subidas que se explicam sobretudo por duas razões principais. Em primeiro lugar, o aumento do nível de vida e dos hábitos alimentares de mais de 2 mil milhões de asiáticos, sobretudo na China e na Índia, o que implica uma maior procura de alimentos. A segunda razão para a subida sustentada das matérias-primas agrícolas deve-se à utilização pela primeira vez na história do produto do cultivo para duas finalidades simultâneas, alimentação e produção de biodiesel. O aumento do preço do petróleo e as crescentes preocupações ambientais motivaram o investimento na procura de fontes de energia alternativas e renováveis, sendo a produção de biodiesel a partir de milho e de açucar uma das consequências.
Basicamente é a lei da oferta e da procura a funcionar. A procura crescente das matérias-primas pelas duas razões acima referidas associada à oferta rígida (a expansão da área cultivada é lenta o que se traduz num reduzido crescimento da oferta de produtos agrícolas no mercado) implicam necessariamente a subida dos preços.
Apesar de muitas matérias-primas estarem na vizinhança de máximos históricos, existem outras como o café, o açúcar e o algodão que ainda se encontram longe de máximos históricos, e que neste momento se posicionam como investimentos de eleição. Em todos os ciclos anteriores de subidas de matérias-primas praticamente todas as mercadorias atingiram máximos históricos. Por essa razão e, com o preço do açucar 80% abaixo do máximo histórico e com os preços do algodão e do café cerca de 60% abaixo dos seus preços recorde, a compra destas mercadorias nos mercados internacionais através de uma empresa especializada é um investimento estratégico para os próximos anos e que poderá render bons dividendos.
De salientar que estas subidas já se estão a traduzir nas compras do dia a dia, com o preço do pão a aumentar só neste início de ano entre 10 a 20%. Os preços da fruta e dos legumes também têm vindo a subir desde há muito e deverão continuar. Este ciclo de subidas de preços deverá durar até 2015 ou 2020, o que representa o período de tempo que em ciclos passados a oferta se conseguiu ajustar à procura.
 Henrique Simões |