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18 Setembro 2007
O Bull Market iniciado em finais de 2002, experimentou nas últimas semanas momentos de maior incerteza, com um aumento expressivo da volatilidade nos principais índices accionistas mundiais. O aumento da incerteza leva os investidores a interrogarem-se sobre o que fazer. Descontados alguns exageros pontuais, o nível geral do mercado accionista nunca se tornou “overpriced” quando analisado sob o principal ponto de vista: o dos resultados das empresas. Tomando como referência o índice S&P500, que representa cerca de 80% da capitalização bolsista total do mercado americano, as acções deste índice estão a ser negociadas a um valor equivalente a aproximadamente 16 vezes e meia uma estimativa conservadora dos seus lucros para 2007. Num cenário em que as taxas governamentais e a inflação se encontram abaixo dos 5% e 3% respectivamente, as acções não só se encontram razoavelmente valorizadas, como, numa perspectiva histórica, se poderão considerar baratas. Para além do aspecto da valorização, existem outros argumentos para permanecer “bullish” neste mercado. Pese embora a crise no sector imobiliário nos Estados Unidos, não existe qualquer evidência convincente que possa ocorrer um abrandamento na Economia e certamente não existem sinais de qualquer recessão. O PIB americano no segundo trimestre cresceu a uma taxa de 3,4%, apesar de todas as dificuldades criadas pelo sector imobiliário. As estimativas preliminares para o terceiro trimestre apontam para um crescimento que se deve situar entre os 2,5 e os 3%. Uma parte significativa das correcções verificadas pontualmente durante as últimas semanas, esteve relacionada com o estabelecimento de posições defensivas pela parte dos gestores de carteiras, através da compra de opções de venda que os protejam num cenário de queda dos mercados. Ora, o índice de volatilidade dos mercados (VIX), que mede o prémio pago por estes investidores mais receosos, atingiu recentemente o seu valor mais elevado desde o início da Guerra do Iraque, à 4 anos e meio. A história nos mercados financeiros não se repete; porém, ela dá-nos algumas pistas para procurarmos antecipar o futuro. E neste caso, estes “picos” no índice VIX assinalaram sempre bons momentos para os investidores comprarem acções. Num pior-cenário-possível, em que a limitação no acesso ao crédito, através do estabelecimento de padrões mais apertados, desencadeia um abrandamento económico, a Reserva Federal Americana possui nas circunstâncias presentes, ampla margem de manobra para reduzir as taxas de juro. Com as desvalorizações das yields do tesouro, a estrutura das taxas de juro voltou mais uma vez a inverter-se, com as obrigações a 10 anos a caírem para os 4,75%. Este facto coloca o FED sob o alerta de que os mercados consideram as taxas de juro de curto prazo demasiado elevadas. Um corte nas taxas juro, será sempre um evento positivo para o mercado accionista. Um outro aspecto curioso, está relacionado com a migração nos últimos anos de centenas de biliões de dólares dos mercados accionistas para diversos investimentos alternativos. Se estes investimentos falharem, é muito provável que uma parte significativa destes fundos retorne á origem. A estratégia de investimento a adoptar parece clara: as acções de boas empresas apresentam condições favoráveis para bater o mercado. A história nos mercados financeiros diz-nos ainda que o pior momento para comprar acções é quando não existem quaisquer nuvens negras no horizonte e todos os investidores se encontram muito optimistas. Pelo contrário, as melhores oportunidades e as melhores perspectivas de valorização surgem nos cenários de incerteza e preocupação. Assim, apesar de alguns receios, os fundamentais das empresas, dos mercados accionistas e da Economia, permanecem sólidos. PS. Tem ganho dinheiro com a subida do Crude?
 Oliveiros Cheta |