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29 Maio 2007
A Galp ocupa uma posição de liderança no mercado nacional e uma presença crescente em Espanha. Em Portugal detém a totalidade da capacidade de refinação, assim como activos-chave de armazenamento e transporte de produtos petrolíferos. A empresa possui ainda um portfolio muito atractivo de exploração de petrolífera, detendo participações em diversos blocos de exploração, nomeadamente em Angola e no Brasil. Prevê-se que a produção petrolífera da Galp num dos seus blocos em Angola aumente dos cerca de 10.000 barris por dia produzidos actualmente, para mais de 25.000 barris por dia em 2010. A empresa apresenta ainda um historial de forte geração de cash-flows, o que lhe permite manter uma elevada capacidade de investimento e de distribuição de resultados aos seus investidores sob a forma de dividendos. A venda de combustíveis no retalho, através da rede de cerca de 800 postos Galp, continua a ser a principal fonte de receitas da empresa. Como a margem de lucro da empresa está indexada ao preço do petróleo na origem, o seu lucro será tanto maior quanto mais elevado for o preço pago pelo crude na sua compra e quanto mais caro o vender aos seus consumidores finais. Como a supervisão / fiscalização neste sector como noutros (telecomunicações, auto-estradas, parques de estacionamento, etc…) parece inexistente, a empresa acrescenta aos excelentes factores fundamentais do seu negócio, já por si só altamente lucrativo, a regalia adicional de fazendo uso da sua posição dominante definir livremente o preço cobrado aos seus clientes. O preço-base dos combustíveis (antes da aplicação de impostos) é fixado pelas petrolíferas, de forma livre, e revela a dinâmica de cada mercado.
Quando analisamos a evolução do preço dos combustíveis nos diversos países que integram a União Europeia, verificamos que Portugal se encontra no grupo de países onde os preços mais aumentaram no período em que se deu a escalada inicial dos preços da matéria-prima. O máximo histórico do preço do barril de petróleo negociado em Nova Iorque foi alcançado no Verão passado, quando o Crude foi negociado acima dos 78 dólares por barril. Desde então, o preço da matéria-prima registou primeiro uma correcção significativa, tendo em meados de Janeiro negociado abaixo dos 50 dólares por barril e depois uma nova recuperação, negociando actualmente na casa dos 64 dólares.
Perante a correcção inicial no custo da matéria-prima, superior a 35%, estudos efectuados demonstram que Portugal se fixou no grupo dos países em que a redução do preço menos se fez sentir. Na altura, a quebra do preço pago pela gasolina e pelo gasóleo nos postos de abastecimento, ficou aquém da verificada, em termos médios, nos países da União Europeia. Já quando os preços retomaram a sua tendência de subida, os consumidores portugueses, em que se incluem os privados e as empresas, contaram-se mais uma vez entre os mais penalizados. Nem a valorização do euro face ao dólar superior a 10%, verificada no último ano, atenuou a factura dos consumidores portugueses nos postos de combustíveis. No passado, particularmente em 2005, a desvalorização da moeda europeia face ao dólar americano, serviu de argumento para aumentar os preços da gasolina.
Tem sido esta a dinâmica deste nosso mercado. Um mercado em que o preço evolui de forma assimétrica, independente dos custos dos factores de produção, sem efectiva concorrência e sem supervisão das entidades competentes.
É neste contexto que as acções da Galp se valorizaram desde a sua oferta pública inicial ocorrida próximo do final do ano passado, mais de 50%.
 Oliveiros Cheta |