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27 Fevereiro 2007
Bull Market é a expressão utilizada no mundo financeiro para designar a tendência de subida generalizada do preço dos activos financeiros. O termo “Bull” (touro em inglês) aplica-se aos mercados financeiros com tendência ascendente, porque existe uma semelhança com o movimento que o touro faz quando ataca – de baixo para cima. Quando um investidor tem a expectativa de que os mercados vão continuar a subir, então, é comum se afirmar que esse investidor está “bullish” (optimista). Bear Market é a expressão utilizada para designar a tendência de descida generalizada do preço dos activos financeiros. “Bear” (urso em inglês) é o termo utilizado para traduzir o movimento descendente do preço dos activos financeiros, porque se assemelha o movimento que o urso faz quando ataca – de cima para baixo - ao movimento dos preços em queda. O início e o fim, de um Bull e de um Bear Market são difíceis de prever. Estes são determinados pela observação da diferença entre o valor de fecho mais alto e o mais baixo de um índice, num ciclo do mercado accionista. Tipicamente, um Bear Market ocorre quando o mercado cai mais de 15%. Historicamente, os Bull Markets ocorrem quando os mercados têm subidas superiores a 50%. Um dos principais índices accionistas internacionais utilizado para medir a dimensão dos Bull e Bear Markets é o “S&P 500 Composite index” – índice norte-americano, representativo das 500 maiores empresas cotadas na bolsa de Nova Iorque. Analisando a evolução deste índice constatamos, por um lado que, o período de Bull Market mais longo da história ocorreu entre Maio de 1947 e Julho de 1957, mais de 10 anos. O Bull Market mais curto verificou-se entre Junho e Setembro de 1932. Em apenas 3 meses, o mercado duplicou as valorizações. O Bull Market da década de 1920 foi o mais forte de sempre, apresentando uma valorização de 657%, enquanto que na década de 1947 a 57 o mercado valorizou 517%. Por outro lado, verificamos que a média dos Bear Market apresentaram uma queda de 32.7% e que duram cerca de um ano e dois meses. O Bear Market mais curto da história verificou-se no crash de 1987, o qual durou menos de dois meses. O mais longo, ocorreu entre Novembro de 1938 e Abril de 1942. O pior Bear Market aconteceu entre 1929 e 1932 quando os mercados accionistas caíram 84%. É interessante notar que, seis dos últimos oito Bear Markets terminaram no mês de Outubro. Em Março de 2000, terminou um dos mais longos Bull Markets e começou um dos piores Bear Markets da história, com o rebentar da bolha especulativa do preço das acções de empresas tecnológicas (as “dot com”). Em apenas dois anos, os índices accionistas perderam mais de 40% do seu valor. Após estas violentas quedas, em que os activos financeiros foram lentamente recuperando e apresentando vários anos consecutivos de valorizações positivas, podemos afirmar que estamos perante um novo Bull Market. As características deste Bull Market são: os mercados bolsistas, sem excepção, têm subido consistentemente nos últimos 4 anos; os índices têm estado a atingir máximos históricos; os baixos níveis de volatilidade verificada nas variações diárias dos índices, e os preços das mercadorias (“commodities”) têm subido ano após ano. Na bolsa portuguesa temos também estado perante um Bull Market. Os preços das acções têm subido nos últimos quatro anos e, este ano, em apenas um mês e meio, o PSI 20 valorizou mais de 6%. Ao efectuarmos uma análise histórica concluímos que os Bull Markets são mais fortes e que duram mais tempo que os Bear Markets. E que, no longo prazo, as subidas dos preços das acções mais do que compensam as suas quedas. A questão que se coloca agora é a de se saber até quando irá durar este Bull Market. Depois da bonança virá a tempestade? A resposta é não. Mas, num período de rápida inversão de tendência, será importante que a perícia de detectar oportunidades e de as aproveitar venha ao de cima!
 José Carlos Lopes |