Hiperinflação nos EUA?



23 Junho 2009

O consagrado investidor suíço Marc Faber considera possível e provável que os EUA vivam um período de elevada inflação durante os próximos anos. Considera-se hiperinflação quando a taxa de inflação anual ultrapassa os 100%, porque com uma taxa de inflação de tal forma elevada o poder de compra do dinheiro diminui drasticamente em poucos anos.

Faber divide a história dos EUA em dois períodos de forma a contextualizar este potencial fenómeno inflaccionista. O primeiro período que vai de 1800 a 1930, em que o nível geral de preços permaneceu estável e em que os preços até caíram ligeiramente ao longo dos anos, um período que se caracterizou por um boom económico deflacionista. Por exemplo em 1800 os EUA tinham uma população de 4 milhões de pessoas, enquanto que em 1910 já tinham mais de 90 milhões de habitantes. Este foi o período em que a América se industrializou, em que os caminhos de ferro foram construídos, o país foi electrificado, os primeiros carros e aviões foram produzidos num ambiente em que os níveis de preços se mantiveram inalterados.

O segundo período temporal, a partir de 1930 coincide com a constituição do Federal Reserve Bank, o banco central norte americano. Desde a sua criação, o poder de compra do dólar foi reduzido em 95%. Isto significa que cada dólar hoje compra apenas 5% dos bens que comprava em 1930. Assim podemos perceber que a inflação durante este período foi já consideravelmente elevada. Se demorou quase 80 anos a perder 95% do seu valor no passado, a próxima perda de 90% do seu poder de compra poderá ser muito mais rápida.

Em todas as sociedades quando défices governamentais são conjugados com políticas monetárias extraordinariamente expansionistas, como aconteceu nos países da América Latina a seguir à crise dos petrodólares de 1981, a probabilidade de termos taxas de inflação muito elevadas aumenta muitíssimo. E estes fenómenos podem ocorrer de forma relativamente rápida, veja-se o caso de hiperinflação da República Weimar entre 1919 e 1923.

Provavelmente este fenómeno não irá ocorrer em 4 anos na América, mas se a taxa de inflação for correctamente medida, o que não se verifica uma vez que o Governo publica estatísticas que subvalorizam a inflação, poderemos assistir dentro de 5 a 10 anos a taxas de inflação entre os 10 e os 20%. Neste cenário as mercadorias como o ouro e a prata podem ser um bom refúgio.


Henrique Simões

 

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