RÁCIO OURO/PRATA A BOLA DE CRISTAL?


Maio 2011


A referência ao rácio tem uma longa história. Uma das primeiras menções foi que desde a morte de Alexandre O Grande, o rácio era de 12,5 para 1 (preço do ouro/preço da prata=12,5). Durante o Império Romano, o rácio foi definido em 12. Em finais do século XIX, o rácio subiu para 15.

Interessante, estes rácios históricos reflectem aproximadamente as estimativas dos geólogos de que a prata é 17 vezes mais abundante do que o ouro na crosta terrestre. Esta é a razão que leva muitos investidores a acreditar que 17 é o balanço natural entre estes elementos, e que eventualmente o rácio ouro-prata (ROP) irá retornar a estes valores.

Monitorizar o ROP é popular entre os investidores de ouro e prata. Parece que quando faz um grande movimento, muitos começam a retirar conclusões acerca da direcção dos preços dos metais subjacentes.

Sou a favor do ditado de que o ROP “sugere muito mas não prova nada”. Na verdade, o ROP é determinado pela variação do preço do ouro e da prata; o preço do ouro e da prata não é determinado pelo ROP. Ainda, cada preço do metal é influenciado por variados factores fundamentais. O que complica qualquer análise de interacção entre o preço do ouro e da prata é que estes dois metais têm mercados diferentes, cada um deles com estruturas de oferta e procura peculiares.

Numa revisão breve, o mercado do ouro é caracterizado por uma grande oferta sob-solo, uma vez que a maioria do ouro já retirado ainda existe na forma refinada, e a oferta anual das minas representa apenas uma pequena fracção desse volume. A procura é maioritariamente para joalharia e investimentos. O ouro não é usado em grande escala para fins industriais.

A procura da prata, por contraste, é principalmente para fabricação industrial de bens como electrónica e baterias. O metal é consumido durante o processo e retirado de stocks já minerados. As outras áreas principais de procura são joalharia, investimentos, fotografia, moedas e consumo doméstico. A oferta provém principalmente da mineração e da reciclagem de sucata.

Desta abordagem vem uma conclusão: ao longo do tempo, procura e oferta pelos dois metais tem flutuado em resposta aos avanços tecnológicos e industriais, sistemas monetários e turbulências nos mercados. Hoje, sendo o investimento e joalharia as fontes primárias da procura por ouro e que a maioria da prata vai para aplicações relacionadas com a indústria, não é surpreendente que o ROP esteja diferente da média histórica (17). O gráfico abaixo mostra como o rácio tem flutuado desde 1968: 
 

 

O ROP tem sido extremamente volátil nas últimas cinco décadas com uma média de 53,5 desde 1968 a Abril de 2011; durante os últimos dez anos, a média do rácio foi de 61,8.

O ROP tem vindo a cair há vários meses, como mostra o gráfico acima. Em contrariedade, no entanto, rumores de que um ROP baixo assinala a prata sub-valorizada começou a espalhar-se. A 1 de Abril, o ROP mantinha-se a 37,7 e neste momento está a 42,86. Eu não acho que vá cair para 20 ou 15 neste momento: a história mostra que a elevada volatilidade é a essência do rácio. Após uma queda, normalmente segue-se uma subida rápida. Isso aconteceu em 1980 quando o ouro atingiu o seu pico em termos ajustados à inflação, e em 1987 e 1997. Neste momento não sei até onde pode cair o rácio, mas usando a história como guia, não espero que o rácio continue a cair por muito tempo.

A incerteza acerca da recuperação económica no mundo ocidental e o crescimento dos países emergentes pode resultar no abrandamento do output industrial e, portanto, uma queda na procura de prata que pode impedir a subida do preço. Estas condições também criam um ambiente favorável para o ouro, conduzindo a sua procura como refúgio seguro, levando o rácio subir.

A história mostra que o ROP tende a subir significativamente durante a recessão e cria um pico interino no seu processo. Vejamos o gráfico abaixo: 


 

Acredito que as actuais medidas tomadas pela administração para combater a recessão são largamente contra produtivas, temporariamente, e serão incapazes de prevenir o começo de uma nova grande queda económica. É difícil de prever quando começará a agitação, mas as probabilidades de acontecer brevemente são tão elevadas quanto os valores da dívida dos EUA. Quando o empurrão for dado, o ROP pode reagir rapidamente e criar uma flutuação de magnitude sem precedentes. Como já referi acima, em tempos de recessão, o ouro e a prata comportam-se de forma diferente.

O preço da prata foi também influenciado pelas expectativas de que a economia global está a revitalizar e que a procura industrial vai durar. Em 2010 a prata valorizou mais de 80% enquanto o ouro valorizou menos de 30%. A diferença resultou numa queda do ROP durante 2010. Esta performance será repetida? Não sei. Os especuladores devem lembrar que o ROP é meramente um rácio de dois preços normalmente dirigido por forças diferentes.

Conclusão: O rácio Ouro/Prata atrai muita atenção hoje em dia, mas não é uma ferramenta de confiança a manter, e eu não acho que consiga prever movimentos futuros dos preços. Para quem consulta o gráfico do ROP, incluindo eu, não se deve esquecer de analisar todos os fundamentais por detrás do movimento dos preços, tanto do ouro como da prata. Aconselho a serem extremamente cautelosos e não serem apanhados na armadilha de acreditar que um simples número de um rácio pode proporcionar-vos um bom investimento, como uma bola de cristal.

Identificar uma oportunidade para proveito futuro baseado em factos e um determinado montante de risco é outra coisa. Isso é o que fazemos aqui na Altavisa, mas não apenas baseados no ROP.

Na Altavisa, com analistas e gestores de carteiras especializados, procuramos sempre identificar as melhores oportunidades baseados no máximo de informação possível e tendo sempre em conta todos os factores que fazem variar cada activo.

Invista connosco, não apenas através de um rácio, mas sim numa sólida confiança nos nossos serviços.

    

 

 
João Carlos Pinto

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