Investir na África que não conhecemos


Janeiro 2011

Quando, no contexto dos investimentos financeiros, falamos em mercados emergentes, sobressaem imediatamente as nações “BRIC”, sigla inventada por um economista da Goldman Sachs para denominar um conjunto de países (Brasil, Rússia, Índia e China) que se destacaram no cenário económico mundial pelo rápido crescimento das suas economias. 

Estas 4 economias representam aproximadamente 50% do índice de Mercados Emergentes da Morgan Stanley, o principal barómetro para medir a performance agregada destas economias ditas “emergentes”. Mas, que outras oportunidades de investimento existirão no espectro dos mercados emergentes, que tenham despertado até agora uma menor atenção dos investidores? 

Na Altavisa, acreditamos que serão várias as alternativas: Vietname, Singapura, Turquia, Malásia, África do Sul, Egipto, Indonésia, para citar alguns exemplos de mercados em que os nossos clientes se encontram já investidos.
Com o foco principal das atenções, até aqui, centrado na região asiática, será porventura fora desta região que se encontrarão algumas das melhores oportunidades de investimento no futuro, especificamente no norte de África.
África beneficia de uma posição geográfica estratégica, enquanto elo de ligação entre a Europa, o Médio Oriente e o próprio Continente africano. O investimento directo estrangeiro nesta região multiplicou-se seis vezes(!), desde 2000. 

No contexto macroeconómico, reúnem-se de forma agregada, um conjunto de circunstâncias muito favoráveis, designadamente: um crescimento contínuo das receitas provenientes do sector do Turismo, um aumento da procura da produção interna (por força das pressões dos custos na Europa), um forte desenvolvimento do sector imobiliário impulsionado pelas baixas taxas de juro, e por fim, mas não menos importante, a perspectiva da consolidação da estabilidade política.

Aliado a este contexto, surgem diversos factores que fazem de alguns mercados africanos, excelentes oportunidades de investimento sustentado de médio / longo prazo:
• O aparecimento e rápido desenvolvimento da classe média;
• O desenvolvimento infra-estrutural (gerador da criação de valor no longo prazo) e um contexto de negócios favoráveis ao crescimento económico;
• A região é relativamente resistente a uma eventual desaceleração do crescimento económico global;
• O nível presente de endividamento da região do Norte de África é de apenas 15% do seu PIB, por comparação com o rácio de cerca de 150% no resto do mundo;
• A população cresce 13% a cada 5 anos, estimulando a procura interna;
• A valorização dos activos encontra-se a níveis extremamente atractivos, em especial quando comparada com a verificada noutros mercados desenvolvidos e em desenvolvimento. 

Terá sido por alguns destes factores e por muitos outros que aqui não foram enumerados, que ao longo da última década, os chineses investiram de forma significativa em activos africanos, tendo mesmo intensificado este investimento no passado recente, trocando os seus dólares americanos por activos físicos, tangíveis. 

Verifica-se também, sem surpresa, que as empresas africanas que vêem despertando mais atenção são aquelas que estão ligadas às matérias-primas. Mas o crescimento em África não se resume às mercadorias. Também os sectores da Banca, Transportes, Comunicações, entre outros, têm conhecido um rápido desenvolvimento. 

Beneficiar destas perspectivas de crescimento em África será algo mais complexo, porque contrariamente à China ou Brasil, África não representa uma realidade homogénea, um único país, um único governo. Assim, o crescimento económico africano dificilmente eclodirá com a mesma rapidez e pujança com que se deu o desenvolvimento económico na China, por exemplo. Mas o potencial de valorização será eventualmente comparável. 

África é genericamente percepcionada como “pobre” e “corrupta”. Mas, como já temos defendido várias vezes, as melhores oportunidades de investimento encontram-se onde a percepção se afasta da realidade, quando a realidade não é tão má como é percepcionada. O investimento nesta região reúne estes ingredientes de sucesso: é odiada, encontra-se subavaliada e o acesso ao investimento não é simples para o investidor não profissional. Um pouco à semelhança de como eram vistas a Europa de Leste (ex-comunista) e a própria Rússia no início da década de 90. Bill Browder, um gestor bem sucedido já retirado das lides dos investimentos, observou sobre o seu investimento no mercado russo: “A Rússia é m**da. Mas desde que seja um pouco menos m**dosa, ganharei muito dinheiro”. 
   

 

 
  Oliveiros Cheta

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