O colapso financeiro europeu?



Março 2011

Muitas pessoas não fazem ideia da extensão dos problemas financeiros na Europa neste momento. A verdade é que todo o sistema financeiro Europeu está à beira do desastre. A Irlanda e a Grécia já receberam resgate e Portugal, Espanha, Itália, França e Bélgica estão a afogar-se num oceano de dívidas insustentáveis. Os ratings do crédito soberano por toda a Europa têm sido reduzidos nos últimos meses. Por exemplo, a Moody´s cortou o rating das obrigações da Irlanda em cinco níveis. Até agora, a Europa tem resistido bastante bem à instabilidade financeira, mas os grandes problemas financeiros em Portugal ameaçam espalhar a crise da dívida Europeia para fora de controlo.

O primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, demitiu-se na 4ª feira, após a maioria da oposição votar contra as medidas de austeridade que ele pedia. O pacote de cortes no orçamento e o aumento de impostos destinavam-se a manter a crise de dívida portuguesa sob controlo. Antes da votação, o primeiro ministro avisou que não teria capacidade de governar o país se as medidas de austeridade não fossem aprovadas.

Agora existem todo o tipo de questões acerca do que vai acontecer a Portugal. Nesta altura a maioria das autoridades financeiras europeias parecem assumir que Portugal vai precisar de um resgate.

A Standard & Poor´s reduziu o rating do crédito a longo-prazo do Governo português de “A” para “BBB”. A Standard & Poor´s também está a avisar que o rating do crédito poderá ser baixado ainda mais se as negociações para um resgate não correrem bem.

Sem um resgate, parece quase certo que Portugal não terá hipóteses.
As taxas de juro da dívida do Governo subiram a valores insustentáveis. A yield das obrigações a 5 anos ultrapassou ontem os 8,5%, valor mais elevado desde a adesão de Portugal à moeda única.
As autoridades portuguesas estão a dizer publicamente que não conseguem comportar o pagamento deste tipo de taxa de juro. Sendo forçado a contrair dívida adicional para fazer face ao pagamento de dívida anterior. 

Quanto custará um resgate a Portugal?
Bem, de acordo com as estimativas, será provavelmente na ordem dos 70 mil milhões de Euros.
Este valor não vai afundar a Europa.
No entanto, a preocupação é que a crise em Portugal poderá ter um efeito dominó.
Existe uma crescente preocupação na Europa que a nossa vizinha Espanha poderá também precisar de um resgate. Mas o valor do resgate a Espanha será potencialmente tão elevado, que causará um pesadelo na Europa.
Segundo o Wall Street Journal, a dimensão do problema é que um resgate a Espanha será o teste de força final à Europa como um todo, ao ter de dispender cerca de 110 mil milhões de Euros…
A verdade é que o resto da Europa simplesmente não tem o tipo de músculo financeiro necessário para continuar a conceder resgates indefinidamente. Se a Espanha cair, irá certamente colocar um montante excessivo de tensão no resto do continente. 

Há outros problemas financeiros a assolar a Europa neste momento.
Os problemas financeiros na Irlanda também estão a criar muita preocupação neste momento. Prevê-se que os bancos irlandeses possam vir a necessitar de mais $39 biliões, ou seja, 80% dos fundos de resgate actuais.
A Irlanda é um caso financeiro perdido neste momento. A confiança na dívida irlandesa rapidamente se evaporou, tendo a yield das obrigações a 10 anos ultrapassado recentemente os 10%.
Mas isto não é nada comparado com o que a Grécia será forçada a pagar. A yield a 10 anos das obrigações gregas atingiu recentemente os 12,58%.
Existem rumores persistentes de que a Grécia vai precisar de outro resgate. A verdade é que a Alemanha e outras nações europeias que estão a adiantar o dinheiro para estas ajudas, na verdade estão a colocar dinheiro num buraco negro financeiro. 

Nações como a Grécia e a Irlanda são, actualmente, meros sorvedouros de dinheiro.
O colapso financeiro da Europa pode ser inevitável. A União Europeia pode continuar com planos de ajuda consecutivos, mas estão apenas a adiar por uns tempos o crash.
Eventualmente chegaremos a um ponto em que não se consegue manter todas as bolas no ar. Então o que vai acontecer quando chegarmos a este ponto? Bem, muitos acreditam que poderemos assistir ao fim do Euro e potencialmente o desmembramento da União Europeia. 

Claro que os principais políticos europeus lutarão com unhas e dentes para manter afastada esta hipótese, mas a verdade é que em dada altura veremos desafios financeiros incríveis na Europa. A forma como a União Europeia vai responder a estas crises vai ser extremamente interessante de ver. 

Muitas pessoas falam da morte do USD, mas a verdade é que poderemos ver facilmente um colapso financeiro e uma grande crise monetária na Europa antes do colapso do USD. Na realidade, a Europa está numa situação mesmo muito má.
É claro que não ajuda o facto de todo o mundo estar incrivelmente instável neste momento. O desastre no Japão, a guerra na Líbia, as revoluções um pouco por todo o Médio Oriente e a crescente subida do preço do petróleo, colocam a economia mundial novamente sob grande pressão. 

Penso que as pessoas precisam de se preparar para um desastre económico. Todo o sistema financeiro global está a desmoronar-se. A economia dos EUA está a desintegrar-se, a Europa está a lidar com crises de dívida sem precedentes e o Japão foi atingido com o pior desastre económico desde a 2ª Grande Guerra. 

Muitas pessoas não prestam atenção ao que se está a passar em Portugal (ou no resto da Europa), mas deviam. O mundo está mais interligado do que nunca e se a Europa sofrer uma queda financeira terá consequências dramáticas também para os EUA e outros países fora da Zona Euro. 

O crash financeiro de 2008 varreu o mundo e virtualmente todas as nações no planeta foram afectadas. A próxima onda de crise financeira também vai ser sentida de forma global. Estamos a viver uma das alturas mais interessantes da história do mundo. 

Está preparado para o que está prestes a acontecer?
Na Altavisa acompanhamos diariamente os acontecimentos que marcam o mundo, de forma a proporcionar as melhores oportunidades de investimento aos nossos clientes. Neste momento assumimos uma postura especialmente defensiva. Em alguns dos nossos produtos, estamos posicionados de forma a poder beneficiar de uma eventual desvalorização dos mercados de acções, que consideramos altamente provável. 

   

 

 
 João Carlos Pinto

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LUIS RODRIGUES | 2011-03-30 21:47:00
Gostava de felecitar a vossa equipa, pelo vosso artigo.

Manuel Firmino Tavares | 2011-03-30 20:17:00
Na realidade tenho pensado maduramente como aplicar a minha poupança, mas não vislumbro nada.Penso também, que o mercado das acções vai desvalorizar. Que fazer?
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