A União Europeia tem-se debatido, desde finais de 2009, com uma crise de crédito, de dimensões ainda desconhecidas, com que se debatem os países com as economias mais débeis, caso da Grécia e Portugal, e também aqueles que mais foram penalizados pela recessão económica global, como é o exemplo da Irlanda e da vizinha Espanha. Esta “Crise da Divida Soberana” (como é normalmente designada) mantém sob risco muito elevado o sector financeiro, e em particular alguns dos principais Bancos do “Velho Continente”, os quais investiram massivamente em obrigações governamentais.
Depois dos mercados financeiros terem feito subir os custos de financiamento destes países, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) levaram a efeito um plano de apoio, primeiro à Grécia e mais recentemente à Irlanda, num processo muito criticado, entre outras razões por ter revelado falta de capacidade de antecipação dos líderes europeus.
As negociações em torno das ajudas aos países em dificuldades provocaram até ao momento as mais profundas tensões de sempre no seio da União Europeia (UE), nomeadamente pela resistência de alguns países - em particular da Alemanha - em proporcionar ajuda financeira a estes países, que são vistos como “desregrados”. Estas tensões têm feito crescer dúvidas sobre a capacidade do Euro poder sobreviver enquanto moeda única, agregadora de uma pluralidade de realidades económicas muito distintas.
Em Maio a União Europeia aprovou um Fundo de contingência, no valor de 500 biliões de euros. Existia nesse momento a expectativa de que este Fundo não viesse a ser utilizado, pelo “efeito calmante” que ele teria nos investidores. Porém, o Outono de 2010 trouxe novamente a subida das taxas de juro das obrigações governamentais nestes países “problemáticos”, tendo os holofotes apontado na direcção da Irlanda, outrora visto como um exemplo a seguir, agora foco de todas as preocupações e alvo de severas críticas.
Depois da Irlanda, a atenção dos “Bond Vigilantes” (“vigilantes das Obrigações”, a alcunha como são conhecidos os investidores do mercado de obrigações) centrar-se-á muito provavelmente sobre Portugal, o próximo “elo mais fraco”. Nouriel Roubini, conhecido economista, critica a Irlanda por ter “socializado as perdas do sistema bancário privado”, tendo feito aumentar o seu défice público dos 7% do PIB, antes da intervenção, para os 100% do produto interno depois da intervenção.
As intervenções, primeiro dos governos e depois do FMI e da UE, concentram e amplificam, na opinião de muitos analistas, a magnitude dos problemas da crise do crédito. Acredito que em algum momento a realidade terá que prevalecer e os Bancos e os seus credores, terão que pagar a sua factura. Roubini ironizava no final da passada semana que não virá ninguém de Marte ou da Lua para salvar o FMI ou a UE.
|