BALANÇO DE 2010 & OUTLOOK PARA 2011



Dezembro 2010


A apenas duas semanas do final do ano, é o momento oportuno para se fazer um balanço-resumo de 2010 e se perspectivar o que será o ano de 2011 nos mercados financeiros.

Se 2008 foi o ano da crise financeira e 2009 o ano da recuperação, então 2010 foi o ano da indecisão, marcado pela incerteza sobre a sustentabilidade da recuperação e pelos receios ora da deflação ora da inflação.

Mas o principal acontecimento de 2010 foi a emergência da crise da dívida soberana em alguns países do denominado “mundo desenvolvido”. De acordo com a agência financeira Bloomberg, em 2011, os montantes da dívida pública que atingirão a maturidade, nos EUA e na Zona Euro, serão da ordem dos 3.5 triliões de dólares, ainda superiores aos 3.1 triliões atingidos em 2010.

BALANÇO-RESUMO preliminar (porque ainda faltam cerca de 15 dias para o final do ano) do comportamento das principais classes de activos:

Mercados de Acções
Os mercados accionistas da Indonésia, Filipinas e da Turquia lideram a tabela de ganhos de 2010, com valorizações superiores a 40, 30 e 20% respectivamente. Na Zona Euro, a bolsa alemã de Frankfurt é a que apresenta melhor performance +18%, a larga distância das suas congéneres. Nos EUA, os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P500 acumulam ganhos compreendidos entre 10 e 15%. Por cá, o índice PSI20 acumula uma desvalorização de cerca de 6%.

Mercados Obrigacionistas
Em 2010, os mercados obrigacionistas estiveram no centro das atenções por via da crise da dívida pública de países como a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha. Se por um lado, proporcionaram aos investidores boas oportunidades, por outro, o risco de incumprimento aumentou significativamente.

Mercados Cambiais
O euro tem sido penalizado pelo aumento dos receios dos investidores em resultado da crise da dívida soberana. Por isso, em 2010 acumula desvalorizações significativas face às principais divisas. Por exemplo, face ao dólar-americano perde 8% e face ao iene japonês cerca de 20%. Em 2010, destacaram-se as divisas de países ricos em matérias primas e em especial dos que detém metais base e preciosos como o dólar australiano e canadiano.

Mercadorias Agrícolas
Este ano o algodão vai terminar o ano no topo da tabela de ganhos, acumulando uma subida de 89% e em segundo lugar ficará o café com uma valorização próxima dos 50%. Ainda no ‘top 5’ ficarão o milho, o trigo, com apreciações na casa dos 40% e o açúcar com um ganho superior a 20%.

Metais Preciosos e Metais Base
O Ouro continua a valorizar pelo décimo ano consecutivo, tendo o seu preço atingido um novo máximo histórico nos 1.431 dólares a onça a 7 de Dezembro. A Prata tem brilhado em 2010, desde o início do ano o seu preço valorizou 70%. Nos metais base, o palladium assumiu a liderança das valorizações ao apreciar até ao momento 178% e o cobre acumula ganhos de 33%.

Petróleo e Gás Natural
Nos mercados das matérias-primas energéticas, o petróleo teve um primeiro semestre volátil, mas na segunda metade do ano iniciou uma tendência de subida que se traduz num ganho acumulado de 28% desde o início do ano. O gás natural decepcionou os investidores ao desvalorizar cerca de 13%, penalizado por um excesso de oferta.


OUTLOOK PARA 2011
Num mundo em constante mudança e sujeito ao fenómeno da globalização a “alta velocidade” é muito difícil fazer previsões com um grau de certeza elevado. Contudo, podemo-nos atrever a fazer algum futurismo de curto prazo, sempre com a devida ressalva de que se tratam de prognósticos.
Neste contexo, parece-nos que em termos económicos o ano de 2011 terá o seguinte ambiente económico e ficará marcado pelos seguintes (principais) acontecimentos:

AMBIENTE ECONÓMICO E FINANCEIRO
A transição de um período marcado por múltiplos estímulos económicos (como se tem verificado nos últimos 2 anos) para um período de austeridade económica em alguns países da Europa (nos quais Portugal se insere) como o que se verificará em 2011, irá conduzir inevitavelmente a um abrandamento do crescimento económico. As medidas fiscais restritivas e o esforço financeiro necessário para controlo das dívidas soberanas, irão ter um impacto negativo na confiança dos consumidores e penalizar o crescimento do PIB. Daí que, economistas internacionais prevejam que o crescimento dos países desenvolvidos seja de apenas 1.6% e que os bancos centrais dos EUA (a FED), da Europa (BCE) e do Japão manterão as suas taxas de juro de referência inalteradas, adiando para o ano de 2012 as eventuais subidas.

Em contraste, as economias emergentes irão continuar a recuperação vigorosa. Em 2011, os países em franco desenvolvimento irão apresentar um crescimento médio de 6.3%, o que permitirá que economias de países desenvolvidos possam contrabalançar uma quebra da procura doméstica com um aumento das exportações para esses países em desenvolvimento.

O comércio global irá crescer 5.7% em 2011, um significativo abrandamento face ao crescimento de 11.5% verificado em 2010. Apesar das regras de controlo mais apertadas impostas pela Organização Mundial do Comércio, os países asiáticos irão apresentar as maiores taxas de crescimento das exportações, o que irá conduzir ao surgimento de medidas proteccionistas.

Os principais ‘players’ do sector financeiro mundial perspectivam que o ano de 2011 será um bom ano para o mercado accionista. Porém, com o aumentar das pressões inflaccionistas, os bancos centrais serão levados a dar sinais de que tencionam aumentar as suas taxas de juro, o que penalizará em determinados momentos os mercados accionistas.


FACTOS E ACONTECIMENTOS

Crise da Dívida Soberana
A crise da dívida soberana de países europeus continuará na ordem do dia, uma vez que a dimensão do problema não permite que este seja solucionado “da noite para o dia”. Em 2011, assistiremos novamente a períodos de instabilidade marcados pela incerteza do cumprimento ou não das obrigações financeiras por parte dos estados membros da UE e pela possível intervenção do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e do Fundo Monetário Internacional.

“Guerras Cambiais”
O ano de 2011 ficará marcado também pela disputa de taxas de câmbio o mais desvalorizadas possível por forma a impulsionar as exportações de cada país. A China, agora o maior exportador mundial depois de em 2010 ter ultrapassado a Alemanha, irá sentir grandes pressões no sentido de apreciar a sua moeda e deste modo reestabelecer o equilíbrio nas transacções do comércio internacional. Será o Yuan (também conhecido por Renmimbi) o melhor investimento cambial de 2011?

Pressões Inflaccionistas
Como resultado dos estímulos económicos que evitaram o prolongamento da maior recessão dos últimos 80 anos, algumas economias começam já a sentir pressões inflaccionistas. Na Índia e na China a taxa de inflação tem vindo a subir e conduziu já à subida quer das taxas de juro quer das reservas mínimas de capital requeridas aos bancos. Será natural que, com a subida da generalidade do preço das mercadorias e das matérias-primas, como é o caso do petróleo, surjam sinais de inflação noutras economias e outras medidas de controlo, o que poderá “arrefecer” benéfica ou prejudicialmente a frágil recuperação económica mundial. Os mercados obrigacionistas deverão ser penalizados em 2011 pela via da subida das taxas de juro. Já os mercados das mercadorias (‘commodities’) deverão estar na linha da frente das preferências dos investidores.

China e Índia em destaque
Em 2011, a China vai ultrapassar os EUA no sector da manufactura. A Índia irá crescer a um ritmo próximo do da China, espera-se que o PIB indiano cresça 8.3% e o chinês 8.4%. Os mercados emergentes e os mercados fronteiriços assumirão a liderança em termos de crescimento económico, podendo afirmar-se que em breve serão as locomotivas do crescimento económico global. Por isso, será natural que os investidores continuem a procurar os países com melhores performances económicas para alocarem os seus capitais. A título de exemplo, o Qatar, o Gana e o Uzbequistão estarão no top 5 dos países com maior taxa de crescimento do PIB em 2011. O que têm em comum? Re: Hidrocarbonetos, a partir dos quais é possível formar acumulações comerciais de petróleo, gás natural e carvão.

Crise Alimentar
Na Ásia, a emergência de classes médias com poder de compra elevado estão a provocar desequilíbrios no sector alimentar – uma procura crescente de mercadorias agrícolas e uma oferta limitada ou desajustada às novas necessidades – podendo gerar rupturas de stocks e por esta via levar algumas mercadorias a atingirem preços nunca antes alcançados. Não é por acaso, que recentemente se ouviu falar do racionamento do açucar…
Uma eventual crise alimentar provocada por alterações dos padrões de consumo cria desafios importantes às economias dos vários países, que se poderão traduzir em oportunidades económicas ao nível do investimento no sector agrícola.

Metais Preciosos e Metais “Raros” em destaque
Se por um lado, o preço do ouro poderá corrigir dos máximos recentes, por outro, poder-se-á manter sustentado em alta por via de vários factores: a “guerra cambial” justifica por si só a procura crescente de ouro enquanto reserva de valor e “moeda única de referência” no sistema de pagamentos internacionais; mas, o facto de os bancos centrais de economias emergentes terem começado, recentemente, a diversificar as suas reservas soberanas por este activo, sustentam e impulsionam os preços do ouro para novos máximos históricos. Porém, a perspectiva de retornos mais limitados face a anos anteriores poderão justificar que os investidores prefiram outro activo (como p.e. a prata que tem tido uma procura industrial crescente) em detrimento do ouro.
Em 2011, parece-nos que alguns metais base como é o caso do cobre e metais “raros” que contenham elementos químicos que constam na ‘Tabela Periódica’ poderão proporcionar boas oportunidades de investimento aos investidores que procurem novos activos físicos ou financeiros para aplicarem os seus capitais.

CONCLUSÃO

Em termos de alocação estratégica dos investimentos, parece-nos que os investidores deverão em primeiro lugar encontrar o equilíbrio risco/retorno mais adequado aos seus objectivos e grau de tolerância ao risco, e só depois seleccionarem activos que possam gerar mais-valias.

Se desejar conhecer os países, os sectores, as mercadorias, os metais e as divisas que estamos a recomendar aos nossos clientes, contacte-nos. 

   

 

 
José Carlos Lopes

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