Compreender o Risco



Novembro 2010


Em chinês a palavra risco escreve-se com dois caractéres: um significa ameaça, o outro, oportunidade.

No sector financeiro a função gestão de riscos assume um papel de primordial importância, quer pela segurança necessária inerente ao sector, quer pela gestão das oportunidades que surgem e que poderão ser aproveitadas. As melhores oportunidades surgem geralmente nos momentos de maior risco. Por isso, uma vez que os riscos não podem ser eliminados, devem então ser geridos e controlados. Como sabemos, o mundo ideal de elevadas rentabilidades e baixos riscos não existe. Risco e retorno andam sempre de “braço dado”.

É neste contexto que nos propomos a discriminar os principais riscos que existem no sector financeiro, para que os investidores tomem conhecimento que, quando tomam uma decisão de investimento não correm apenas o risco mais conhecido e comum - o de mercado – mas sim inúmeros riscos:

Risco de mercado
O risco de mercado consiste na ocorrência de movimentos desfavoráveis no preço de mercado dos instrumentos da carteira de negociação, provocados, nomeadamente, por flutuações em taxas de juro, taxas de câmbio, cotações de acções ou preços de mercadorias, etc.

Risco de taxa de juro
Consiste na ocorrência de movimentos adversos nas taxas de juro.

Risco de taxa de câmbio
Este risco decorre da ocorrência de movimentos adversos nas taxas de câmbio, provocados por alterações nas taxas de câmbio utilizadas na conversão para a moeda base.

Risco de liquidez
Risco que pode resultar da incapacidade de uma instituição dispor de fundos líquidos para cumprir as suas obrigações financeiras, à medida que as mesmas se vencem, ou resultar do tipo de instrumento financeiro que se transacciona, que pode não ser convertível em dinheiro de forma imediata.

Risco de crédito ou de contraparte
É o risco que pode advir da incapacidade de uma contraparte cumprir os seus compromissos financeiros.


Risco de "compliance"
Este risco inerente às instituições financeiras pode decorrer de violações ou do não cumprimento das leis, regulamentos, contratos, regras de conduta e de relacionamento com clientes, práticas instituídas ou princípios éticos, que se materializem em sanções de carácter legal ou na impossibilidade de exigir o cumprimento de obrigações contratuais.

Risco operacional
É um dos principais riscos das instituições financeiras e que pode resultar de falhas na análise, processamento ou liquidação das operações, de fraudes internas e externas, de processos de decisão internos ineficazes, de recursos humanos insuficientes ou inadequados ou da inoperacionalidade das infra-estruturas.

Risco dos sistemas de informação
Este risco está presente em todo o sector financeiro e pode resultar da inadaptabilidade dos sistemas de informação a novas necessidades, da sua incapacidade para impedir acessos não autorizados, para garantir a integridade dos dados ou para assegurar a continuidade do negócio em casos de falha.


Conclusão
Sendo a confiança o pilar fundamental do negócio financeiro, há que minimizar todos estes riscos por forma a dar aos investidores o conforto necessário para tomarem boas decisões de investimento e evitarem surpresas indesejadas.

O sucesso de qualquer negócio do sector financeiro assenta numa boa gestão dos riscos inerentes ao sector.

Conheça os riscos e depois arrisque!


Sabia que é possível investir num instrumento que mede a volatilidade/risco do mercado?

Através do título VXX é possível investir num índice que mede o nível de risco do mercado.
O VXX é um fundo negociado em bolsa, na New York Stock Exchange, que procura replicar a performance do índice norte-americano S&P 500 VIX (Volatility Index).

O Índice VIX é também conhecido como o índice que mede o medo dos investidores, por reflectir em cada momento, o nível de receios desses investidores. Quanto maior é o “medo” dos investidores maior é o valor do VIX, e vice-versa.

No site stockcharts.com pode consultar a evolução gráfica quer do título VXX quer do índice VIX.

Gráfico VXX 

  

Gráfico VIX
Neste gráfico, o VIX atingiu o valor mais alto no epicentro da grave crise financeira de Out./Nov. 2008, momento em que o factor medo estava ao rubro.

 

 

 
José Carlos Lopes

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