“Guerra Cambial”… onde os mais fracos saiem vencedores



Novembro 2010


Ao longo das últimas semanas, os mercados accionistas internacionais têm apresentado uma excelente performance com baixa volatilidade. Porém, nos mercados cambiais tem-se intensificado uma espécie de “guerra cambial” (expressão utilizada pelo actual mininisto das finanças brasileiro) com as principais economias mundiais a procurarem desvalorizar as suas moedas, com o objectivo de estimular a sua competitividade (o volume de exportações de um país será tanto maior quanto mais “barata” for a moeda desse país em relação à dos seus concorrentes directos).

A título de exemplo, o Japão interviu nos mercados cambiais, pela primeira vez nos últimos 6 anos, com o objectivo de proteger as exportações do seu país duma apreciação do Iene. A China, o Brasil, a Suíça e o Reino Unido deram também sinais de quererem enfraquecer as suas moedas. Os EUA ao permitirem que a sua moeda desvalorize através da uma política expansionista de emissão de dívida, com o objectivo de estimularem o consumo interno e dessa forma combaterem um possível (mas indesejável) cenário de deflação, estão a criar condições para que as moedas das novas economias emergentes se apreciem face ao dólar. Contudo, não se pode generalizar este efeito, uma vez que algumas das moedas desses países estão indexadas ao próprio dólar (como p.e. o caso das divisas dos países produtores de petróleo do Médio-Oriente da região do Golfo Pérsico). Nestes países, a desvalorização do dólar tem um duplo efeito positivo, uma vez que os torna mais competitivos comercialmente e os que tiverem dívida externa denominada em dólares passam a dever relativamente menos.

As baixas taxas de juro verificadas nos EUA, na Europa e nos principais Mercados Emergentes estão a conduzir os investidores, que procuram rendimentos fixos, a explorarem novos locais exóticos para além dos mercados tradicionais de investimento.

É neste contexto que os Novos Mercados Emergentes ou Mercados Fronteiriços (termo económico criado em 1992 para descrever um subconjunto de mercados emergentes que no presente têm uma reduzida capitalização bolsista e baixa correlação com os outros mercados, mas que com o tempo, se tornarão mais líquidos e terão riscos e retornos similares aos dos mercados emergentes desenvolvidos), poderão estar na iminência de beneficiarem da possibilidade de entrada de volumes de capitais estrangeiros, sem precedentes.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que em 2011 as economias emergentes tenham um crescimento médio do PIB de 6,4% enquanto que as economias desenvolvidas crescerão apenas 2,3%. Para os Mercados Fronteiriços isto significa que a entrada de capitais irá manter-se suportada pelo interesse crescente dos investidores em aplicarem uma parte dos seus capitais onde as taxas de crescimento são mais altas. A procura crescente pelas divisas destes mercados irá conduzir naturalmente à sua apreciação. E, de acordo com a medida da paridade do poder de compra do FMI, as moedas dos países emergentes estão na generalidade desvalorizadas em cerca de 31%, o que as torna ainda mais “apetecíveis”.

Apesar da alocação de capitais nos novos mercados emergentes ser ainda reduzida, tal não significa que estes mercados não apresentem um enorme potencial de valorização. Na nossa perspectiva, existe hoje uma grande oportunidade para os investidores que possam correr riscos no curto prazo mas que tenham como perspectiva o retorno do longo prazo, uma vez que os Mercados Fronteiriços tendencialmente apresentarão taxas de crescimento muito superiores à dos restantes mercados e as suas divisas irão valorizar por via da crescente entrada de capitais nesses mercados, e esta boa performance económica terá reflexos no comportamento dos mercados financeiros nestas economias. 
 
  

 

 
José Carlos Lopes

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