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26 Maio 2008
Na semana passada a notícia sobre o downgrade à divida soberana do Reino Unido provocou ondas de choque nos activos denominados em dólares, devido ao receio de um eventual downgrade à dívida pública norte americana. Por esta razão o dólar e as obrigações governamentais americanas caíram, assim como os índices de acções norte americanos nos últimos dias da semana.
Para já estes receios parecem não ter afectado as acções de mercados emergentes, nem as mercadorias que voltaram a subir esta semana, com destaque para o crude que valorizou 8.2%. As mercadorias beneficiaram de uma forma geral da fraqueza do dólar, com o ouro a subir 3% acompanhando 1 por 1 a desvalorização da moeda americana. Os mercados emergentes continuam com uma excelente performance, com destaque para o mercado indiano que valorizou 14% num só dia, devido ao resultado das eleições, sendo o partido vitorioso considerado mais pró-capitalismo que o anterior. Pelos vistos, o capitalismo ainda entusiasma os mercados financeiros e existem países que se aproximam de um capitalismo mais vincado, ao contrário da maioria dos países ocidentais.
Nos mercados de crédito existem sinais de estabilização com os dados vitais do mercado de crédito a revelarem uma convalescença rápida: o TED Spread, uma medida de risco de crédito bancário a descer para os 0.48% do pico atingido em Outubro nos 4.65% e com o Libor a descer dos 3.64% para os 0.45%. As medidas de reflação providenciadas pelos bancos centrais a nível mundial atenuaram de forma substancial a crise de crédito tendo aumentado de forma significativa a liquidez. Este é um sinal positivo de que a fase mais aguda da crise de crédito já foi ultrapassada.
Os riscos poderão vir agora de outro quadrante. Todos estes esforços de conter a crise e financiar os bancos de forma a que eles não entrassem em bancarrota e pudessem continuar a desempenhar o seu papel económico de concessão de crédito e salvaguarda das poupanças, levou a um esforço que pode ter sido demasiado grande para uma economia americana já demasiado endividada mesmo antes desta crise. Daí esta recente crise no dólar que terá que ser monitorada com toda a cautela. A monetização da economia poderá levar a um colapso no dólar, a uma escalada da inflação e a uma corrida aos activos não denominados em dólares, podendo levar a que o paciente não morra da doença, mas da cura.
Jim Rogers, co-fundador do Quantum Fund com George Soros e um dos mais proeminentes investidores mundiais defendeu recentemente em entrevista À cadeia CNBC que os governos “não resolveram a base dos problemas que provocaram a actual crise, tendo inundado o globo com moeda”. Rogers acredita ainda que a próxima crise financeira vai ocorrer no mercado de divisas.
Após esta recuperação nos mercados de acções, o medo e a incerteza estão de regresso aos mercados. Várias casas internacionais consideram que um topo de médio prazo está a ser formado e que o downside é grande, isto é, o risco de deter acções poderá ser grande demais, com um potencial pequeno de valorização face a um grande risco de uma quebra significativa.
 Henrique Simões |