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O que é?
Short-Selling de Obrigações do Governo americano, ou seja, este
investimento beneficiará da queda do preço das Obrigações americanas
e respectiva apreciação das Yields (Taxas de Juro), que se encontram
a níveis historicamente muito baixos.
Contexto deste investimento.
As obrigações americanas têm vindo a subir ao longo dos últimos
meses, apesar do extraordinário nível de endividamento do governo
norte-americano. A dívida americana ascende a 13.000 biliões (notação
americana) de dólares e a cada ano a dívida aumenta aproximadamente
1.000 biliões de dólares. A dívida e o seu agravamento são incomportáveis.
A capacidade dos Estados Unidos pagarem esta dívida começa a ficar
comprometida e existem apenas duas soluções para resolver o problema:
• Desvalorizar agressivamente o dólar, “imprimindo” moeda para pagar
a dívida e provocando um colapso nos activos denominados em dólares
e nomeadamente nas obrigações emitidas pelo governo americano;
• Aumentar os impostos (já a um nível elevado) para níveis politicamente
insustentáveis.
Perante as alternativas, a segunda solução não é verdadeiramente
uma opção.
Para além do já elevado nível de impostos nos EUA, a crise económica
não permitirá um aumento dos impostos e provocará até uma enorme
diminuição da receita fiscal, uma vez que as empresas apresentarão
menos lucros e pagarão menos impostos, o com o aumento do desemprego
muitos americanos deixaram de pagar impostos relativos ao seu trabalho.
Esta quebra de receita fiscal, agrava ainda mais o défice orçamental
que poderá este ano atingir um nível recorde de 1 trilião de dólares.
A única solução para a situação gritante a que se chegou é desvalorizar
a moeda e consequentemente a dívida. As obrigações americanas vão
cair abruptamente, com as respectivas yields a subirem, antecipando
a inflação provocada pelo aumento da massa monetária em circulação
e a menor capacidade de os EUA pagarem a sua dívida. O risco de
crédito dos EUA aumenta, e uma redução do seu rating de crédito
poderá ocorrer durante o próximo ano.
De salientar que apesar do endividamento recorde e dos problemas
descritos acima, as obrigações americanas subiram para níveis recorde,
tendo sido temporariamente consideradas como um refúgio por parte
dos investidores que saíram dos mercados de acções. Rapidamente
se perceberá que o risco de deter obrigações americanas é superior
ao risco de deter outros activos normalmente percepcionados com
de maior risco.
Um outro factor que acarretará necessariamente uma queda nas obrigações,
é o papel da China e do Japão. Estes países são os maiores detentores
de dívida americana e poderão vender as suas posições para investirem
nas suas próprias economias também severamente afectadas pela crise
económica e sobretudo mal percepcionem a política escolhida pelos
EUA para resolverem o problema da dívida.
Por todas estas razões as subidas registadas recentemente nas obrigações
do tesouro americanas são apenas um fenómeno temporário relacionado
com o medo instalado nos mercados financeiros durante este ano.
O maior risco neste momento é deter obrigações americanas e por
essa razão investimos e continuaremos a investir na desvalorização
destes activos através de futuros da dívida transaccionados na CBOT.
As taxas de juro americanas encontram-se a níveis historicamente
baixos e inferiores à taxa de inflação. As yields das obrigações
governamentais americanas, ao longo da curva de maturidade, encontram-se
abaixo dos 4 a 6% da inflação estimada nos EUA.
A nossa perspectiva é a de que os detentores das obrigações vão
exigir um prémio face à inflação e que as yields normais para as
condições macroeconómicas actuais serão aproximadamente 100 basis
points acima da taxa de inflação.
O aumento da inflação decorrente da subida dos preços das diversas
matérias-primas (em particular petróleo e mercadorias agrícolas)
e potenciado pelas medidas empreendidas pelo Tesouro americano para
debelar a crise do crédito, tornam o contexto deste investimento
ainda mais favorável.
Neste sentido, o potencial de valorização do investimento é muito
superior ao risco de evoluir desfavoravelmente no futuro.
Porquê investir na queda das Obrigações.
1. Elevado endividamento dos EUA, agravado pelos défices orçamentais
actuais, relacionados com as ajudas ao sector financeiro e pacotes
fiscais de estimulo à economia
2. Taxas de juro implícitas nas obrigações americanas a mínimos
históricos;
3. Possibilidade de a China e Japão, principais detentores da dívida
americana, venderem os seus investimentos;
4. Obrigações americanas deixaram de ser consideradas activo refúgio,
como nunca deveriam ter sido rotuladas devido ao risco de depreciação;
5. Melhor protecção contra a previsível subida da taxa de inflação
a longo prazo;
6. Excelente relação Risco-Rentabilidade.
Ameaças.
O “downside” (perda potencial) deste investimento é muito limitado.
Assim, na nossa perspectiva, o principal risco associado ao “investimento
curto” em Obrigações será o de, o período recessivo na economia
mundial (e dos EUA em particular) se prolongar por um período de
tempo mais elevado, provocando a manutenção ou redução do nível
geral de preços (deflação).
Outras Opiniões sobre este investimento.
Marc Faber, reconhecido investidor suíço que antecipou o crash bolsista
em 1987, considera o investimento “curto” em obrigações americanas
a melhor oportunidade do século.

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