Bons Princípios de Investimento em tempos de crise

23 Setembro 2008

Nas últimas semanas, assistimos a momentos que ficarão registados históricos nos mercados financeiros.
Diversos “veteranos de Wall Street” quando entrevistados nos principais canais televisivos de informação financeira, não hesitaram em classificar o momento que se vive actualmente nos mercados financeiros, como o pior desde a grande depressão de 1929.
A semana iniciou com a falência do quarto maior banco de investimento norte-americano, o Lehman Brothers, e com a compra pelo Banc of America da Merrill Lynch que assim evitou “males maiores”. A American International Group (AIG), uma das principais seguradoras mundiais, viu igualmente pairar a ameaça de falência, tendo as suas acções registado perdas acumuladas no ano superiores a 98% (!!), tendo “obrigado” as autoridades americanas a intervir, com o objectivo de procurar evitar o “efeito dominó” que inevitavelmente ocorreria.

Sem a intervenção das principais autoridades financeiras, nomeadamente dos bancos centrais dos EUA, de Inglaterra, do Canadá, da Suíça e do Japão que injectaram milhares de milhões de euros nos mercados financeiros, para fornecerem liquidez aos mesmos, e sem o plano de emergência concertado pela Administração Bush, pela Reserva Federal e pelo Tesouro norte-americano, de valor superior a 700 mil milhões de euros, não seria possível travar o colapso do sistema financeiro.

Em momentos de crise como os que vivemos na semana passada, os investidores lidam com emoções fortes como o medo, o desespero, a euforia e muitos mais difíceis de descrever. Como sucedeu na semana passada, as melhores oportunidades surgem nos momentos de maior incerteza.
Mais uma vez se demonstrou que as melhores e as piores sessões de bolsa tendem a ocorrer em curtos período de tempo, muitas vezes em dias sucessivos. Assim, numa curtíssima janela de tempo de apenas 1 semana (5 sessões de bolsa), ocorreram no Dow Jones Industrial Average as piores e as melhores sessões de bolsa desde 2001 e 2002 respectivamente.

Estes momentos são oportunidades únicas para os investidores porem em prática lições do passado e para aprenderem novas lições.

São igualmente boas ocasiões para se lembrarem dos bons princípios de investimento:
- Definir à priori os objectivos dos seus investimentos (rentabilidade-objectivo, perda limite, horizonte temporal);
- Só invistir em activos que compreenda;
- Diversificar os investimentos;
- Não se esquecer que assumir perdas pode ser uma óptima decisão de investimento para evitar males maiores;
- Ser paciente, sempre que possível o investidor deve privilegiar o longo prazo;
- Não reagir em momentos de pânico;
- Não se esquecer dos objectivos iniciais de investimento;

No ‘Almanac’ da história das bolsas de valores para além das principais crises: a económico-financeira de 1929, a crise cambial asiática de 1987, a crise das “dot com” em 2000, os acontecimentos do 11 de Setembro de 2001, passará a constar a crise financeira de 2008.
Ao olharmos para trás, iremos observar as janelas de oportunidades que emergiram desta crise. Uma vez que ainda estamos no meio da crise, cada investidor deverá procurar aproveitar essas janelas sem apanhar uma corrente de ar e se constipar.
Os metais preciosos, as mercadorias agrícolas e as matérias-primas, são exemplos de investimentos que deverão continuar a constituir boas oportunidades.


José Carlos Lopes