Energia Nuclear - um investimento estratégico?

10 Junho 2008

Ao longo dos últimos meses temos assistido à escalada do preço do barril de petróleo o que leva os governos e os empresários a procurarem fontes alternativas energéticas.

A energia nuclear que durante anos foi considerada pouco popular devido aos receios de repetição de acidentes como os que aconteceram em 1986 em Chernobil (Ucrânia) e em 1979 na “Three Mile Island” (estado da Pensilvânia nos EUA), e à produção de lixo nuclear, tem vindo a ser considerada uma alternativa viável.

A produção de energia nuclear é mais barata do que a produção de energia realizada a partir de combustíveis fosséis. É vista como uma fonte de energia limpa ao contrário da fonte energética que utiliza o carvão (que ainda é a principal matéria-prima utilizada na produção de energia a nível mundial). Actualmente, a energia nuclear já fornece 16% da produção mundial de energia. Especialistas do sector prevêem que tal valor duplique até 2030.
Em 2005, o governo dos Estados Unidos providenciou um incentivo fiscal à produção de energia nuclear válido por 8 anos.
Em França é, há vários anos, a principal fonte de energia, onde cerca de 70% da energia é produzida pelas centrais nucleares.
Na China a produção de energia nuclear representa apenas 2% da energia produzida mas as autoridades chinesas pretendem aumentar rapidamente a capacidade de produção energética nuclear. A Russia, a China, a Índia e o Japão planeiam construir 72 novas centrais nucleares nos próximos anos.

Principais drivers (motores) que justificam o crescente interesse pelo sector da energia nuclear:
- A procura de energia vai aumentar: alimentada pelo forte crescimento da população mundial;
- Aumento dos preços dos combustíveis fósseis: os custos da produção de energia nuclear não são afectados pela volatilidade e pela subida dos preços dos combustíveis fósseis;
- Alterações climáticas: as emissões de CO2 e as consequentes alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento global, são uma preocupação no actual contexto de aumento da procura energética; a produção de energia nuclear não emite CO2;
- Segurança do fornecimento de energia: os principais fornecedores de urânio são 2 países desenvolvidos com estabilidade política - o Canadá e a Austrália;
- Sector lucrativo: as actuais centrais nucleares comprovam a lucratividade do sector, sem recurso a qualquer tipo de incentivo governamental.

A garantia de uma produção estável, a possibilidade de controlo pelos países proprietários das centrais nucleares sem depederem de terceiros, os custos de produção não variam, e o facto de não contaminar a atmosfera com CO2, faz da energia nuclear uma alternativa real e competitiva.

Por estes motivos, consideramos que na óptica do investidor, a selecção de activos financeiros relacionados com a produção de energia nuclear, é oportuna e apresenta excelente potencial de valorização.


José Carlos Lopes