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28 Julho 2009
A ânsia de voar é tão velha como a humanidade. Leonardo Da Vinci, imitou as aves na tentativa de conceber máquinas voadoras. Mas foi só no século XVIII que se descobriu o método “do mais leve que o ar”, e em 1852, o balão de hidrogénio passava a ser dirigível. Nas primeiras décadas do século XX, o Zeppelin, de Ferdinand von Zeppelin, foi bastante popular até ao desastre que vitimou o modelo irmão, o Hindenburg, que se incendiou, fazendo trinta e seis vítimas, ao aterrar, em 1937, nos EUA. Trinta e dois anos depois, em Setembro de 1969, era a vez da empresa americana Boeing lançar o “jumbo jet”, (como lhe chamou), ao seu célebre modelo 747. Graças aos custos de exploração nivelados por baixo, o 747, contribuiu, de forma espectacular, na democratização do transporte aéreo – a aviação civil entrava numa nova era do transporte de massas. Já no virar do nosso século, a entrada do “super jumbo” – o Airbus A380 – ao serviço comercial de passageiros, foi aguardada ansiosamente. |
 Mark Power, Airbus A380, 2005
| | Num Mundo em rápida globalização, o Airbus A380, foi concebido como um verdadeiro projecto pan-europeu. A fuselagem foi feita em França e na Alemanha, a cauda em Espanha, as asas no País de Gales, e o resto, que é enorme, em pequenas fábricas espalhadas pela Itália, Bélgica e Holanda. À China encomendaram a construção do navio, Ville de Bordeaux, suficientemente grande para, de porto em porto, recolher os diferentes componentes do avião até os fazer chegar a Toulouse, onde num hangar, do tamanho de 24 campos de football, se procedia à montagem do avião. A 25 de Setembro de 2007, sob as cores da Singapura Airlines, (SAI), o famoso A380 inaugurava a primeira rota oficial transportando os primeiros passageiros de Singapura a Sydney. |
Chegava a vez do “jumbo jet” americano ceder ao “super jumbo” europeu, mas com a inesperada crise económica, que desafiou ainda mais as categorias geográficas, a construtora do maior avião de passageiros do mundo, o maior consórcio industrial da Europa, viu a necessidade de abraçar um novo consórcio com industriais chineses – a Airbus China.
Se o número divulgado para este ano pela International Air Transport Association, prevê uma quebra de 3.3 biliões de dólares nas carreiras comerciais em toda a Ásia, a Boeing e a Airbus, vêem na China uma nova pista para levantarem voo, pois percebem que o mercado chinês é crucial para o seu futuro. Para Doug McVitie, um analista da Arran Aerospace, o crescimento das linhas comerciais aéreas chinesas, em breve, envergonharão o Ocidente, e o mesmo prevê o presidente da recente Airbus China, ao dizer que a produção de 48 aviões por ano é insuficiente para a procura interna, pois de acordo com a Administração da Aviação Chinesa, o tráfego aéreo doméstico, nos primeiros quatro meses deste ano aumentou 17%, o correspondente a 56,9 milhões de passageiros. | |  Mark Power, Airbus 380, 2004
| Também Li Jiaxiang, responsável pela Administração da Aviação Civil, prevê, que o número de viagens domésticas na China, em 2020, seja na ordem dos 700 milhões. Na nova fábrica de Tianjin, a Airbus, numa parceria com um consórcio de empresas chinesas que detêm 49%, espera construir, ainda este ano, 10 aviões que entrarão ao serviço da Sichuan Airlines, para além das 60 unidades construídas na Europa. Com todos estes números de milhões, não surpreende, que a empresa esteja a planear no curto prazo, um aumento de produção de 286 unidades por ano na sua fábrica de Tianjin, a par do que produz no enorme hangar de Toulouse.
Da maior fábrica do Mundo a China transforma-se no maior mercado do Mundo e à semelhança do que acontece com a indústria automóvel e tantas outras, a parceria, é o preço que a Airbus, a jóia da coroa das empresas aeronáuticas da Europa, está disposta a pagar para entrar neste mercado.
Durante anos, sem rivais, Airbus e Boeing, competiram entre si a construção de “jumbos”. Há dias, em Xangai, o governo chinês anunciou que a empresa, Commerial Aircraft Corp. of China (CACC), está a dar os primeiros passos na construção do primeiro “jumbo” chinês. Interrogado por um jornalista americano sobre as relações da China com o Ocidente, um responsável do Banco Central da China comentou o seguinte: “Primeiro tínhamos medo do lobo, depois quisemos dançar com o lobo e agora queremos ser o lobo”. |  Madalena Colaço |